Casa da Favela destaca literatura, memória e resistência no terceiro dia de programação da Flip

Foto de Rose Cunha

Rose Cunha

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Foto: Mateus Romano

A programação da Casa da Favela segue movimentando a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) nesta sexta-feira (24), com uma agenda que reúne escritores, artistas, pesquisadores, parlamentares e representantes de movimentos sociais para discutir o papel da literatura e da cultura periférica na transformação social. Em sua quarta edição na Flip, o espaço tem como tema “Afeto como resistência nas periferias” e reafirma o protagonismo das favelas na produção de conhecimento, arte e memória.

Entre os destaques do dia está a mesa “Da favela para o mundo: quando o sonho encontra oportunidade”, que reúne Edson Santana, Jessé Andarilho, Marcio Tavares e Tarcísio Motta para compartilhar trajetórias e refletir sobre como o acesso à cultura, à educação e às oportunidades pode ampliar horizontes e fortalecer os territórios periféricos.

A programação também conta com o diálogo “Favelofagia: 10 anos de residências literárias na favela de Manguinhos, Rio de Janeiro”, realizado em parceria com a PBL. O encontro reúne Dani Ribeiro e Felipe Eugênio, para apresentar a experiência de uma década de incentivo à formação literária e à produção cultural dentro da favela de Manguinhos.

Outro momento de destaque será a mesa “Para não ser esquecido: Memória, encarceramento e a palavra como resistência das periferias brasileiras”, que promove uma reflexão sobre justiça, direitos humanos e o combate ao apagamento das histórias produzidas nos territórios periféricos. Participam do debate Cléo Santos, Hamilton Borges, Jandira Feghali, Jéssica Balbino, Julinho Barroso e Marcus Galinã.

A infância e a formação de leitores também estarão em pauta na mesa “Tudo que a gente é começa na infância: Histórias que fazem a gente caber no mundo”. O encontro reúne Claudia Alexandre, Maíra Azevedo, Silvana Santus e Talíria Petrone para discutir o papel da literatura na construção da identidade, do pertencimento e da valorização das infâncias negras e periféricas.

Encerrando a programação de debates, a mesa “A palavra da favela não pede licença: a voz ativa não se cala” reúne Dani Monteiro, Luiza Romão, Mel Duarte, Nelson Maca e Poeta CJ para discutir a potência da palavra, da poesia e da oralidade como instrumentos de resistência, mobilização e afirmação das vozes das periferias.
Além das mesas literárias, o público poderá acompanhar uma batalha de rimas com H2M – A Fórmula do RAP, seguida pelo Baile da Favela, comandado pelo DJ GrandMaster Raphael, reforçando o diálogo entre literatura, música e cultura urbana que marca a programação da Casa da Favela.

Quem passar pelo espaço também poderá visitar as exposições em cartaz, conhecer a feira de livros com a participação de diversas editoras e coletivos literários e conferir a Feira da Casa da Favela, que reúne produtos como ecobags, copos, camisetas, cadernos e outros itens que valorizam a economia criativa e a identidade do projeto.

Com uma programação que reúne diferentes linguagens artísticas e amplia o espaço para as narrativas produzidas nas periferias, a Casa da Favela segue como um dos principais pontos de encontro da Flip para quem busca conhecer a diversidade da literatura, da cultura e das experiências construídas a partir das favelas brasileiras.