Casa da Favela promove encontros sobre memória, ancestralidade e o direito de sonhar no segundo dia da Flip

Espaço amplia o diálogo sobre identidade, cultura e transformação social com atividades voltadas às vozes das favelas e periferias.
Foto de Rose Cunha

Rose Cunha

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O segundo dia da programação da Casa da Favela na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizado nesta quinta-feira (23), reafirmou o espaço como um importante ponto de encontro entre literatura, arte, memória e as vozes das periferias brasileiras.

Com debates, lançamentos de livros, exposições e atividades culturais, a programação destacou temas como negritude, pertencimento, ancestralidade e construção de novas narrativas.

Ao longo do dia, visitantes puderam conferir a exposição e venda de livros, reunindo editoras, livrarias e autores independentes, além das exposições dos artistas Kaliman Chiappini e KDU dos Anjos, que dialogam com as identidades, memórias e expressões artísticas das periferias.

Um dos destaques da programação foi a mesa “Direito de sonhar: literatura para infâncias nas periferias”, que reuniu Douglas Belchior, Luana Rodrigues, Otávio César Jr., Sagat B., Taís Espírito Santo e Wesley Barbosa para discutir o papel da literatura na formação de crianças e jovens, fortalecendo o direito à imaginação, à representatividade e ao acesso à cultura desde a infância.

A mesa “Quem conta nossa história? Memória, democracia e narrativas das periferias”, com Chico Regueira, Caio Ferraz e André Fernandes, trouxe reflexões sobre a importância da preservação da memória coletiva e do protagonismo das periferias na construção de suas próprias narrativas.

A programação também contou com a parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que promoveu a mesa “Territórios Afetivos e Comunitarismo Digital”, conduzida por Ivana Bentes e convidados. O debate abordou o papel das redes, da comunicação digital e dos vínculos comunitários na valorização dos territórios e na produção de conhecimento coletivo.

Outro momento marcante foi a mesa “Nossas mais velhas sonharam este encontro: força da ancestralidade e da continuidade das mulheres periféricas na construção de novos caminhos”, reunindo Anielle Franco, Josiane Peçanha, Kaliman Chiappini, Laila dos Santos e Vivi de Paula. O encontro evidenciou a potência da ancestralidade e o protagonismo das mulheres negras e periféricas na construção de futuros mais justos e coletivos.

A programação segue ao longo da noite com novas mesas de diálogo e atividades culturais, incluindo sessões do Cineclube e apresentações de forró, fortalecendo a proposta da Casa da Favela de integrar literatura, arte, cultura e convivência em um mesmo espaço.

Com o tema “Afeto como resistência nas periferias”, a Casa da Favela realiza sua quarta edição na Flip consolidando-se como um território de encontros, trocas e valorização das produções culturais das favelas e periferias. Durante cinco dias de programação, o espaço reúne escritores, artistas, pesquisadores, coletivos e lideranças de diferentes regiões do país, reafirmando que as periferias são protagonistas na construção da cultura, da memória e do futuro do Brasil.